quarta-feira, 21 de maio de 2008

- A conta, por favor?

Aí depois de um mês você abre a conta do telefone e vê lá: R$ 500. QUINHENTOS REAIS. E só em ligações para o número do ex, que na época ainda era atual. Então se lembra de todas as conversas via telefone, uma a uma. Todas ali naquele papel, pesando no bolso e na cabeça.

8754-... - 47 minutos de DR às 3h da manhã.
8754-... - 1h15 de DR ao meio dia.
8754-... - 35 minutos de DR às 7h da manhã.

35 minutos de discussão de relacionamento às 7h da manhã. Sabe o que é isso? Antes do café.

E são tantas ligações. E são todas. Que te fizeram perder o sono, a calma, a vontade de viver por muitas vezes. Agora te resta ser R$ 500 mais pobre no meio de tantas outras pobrezas.

Já passei por isso em outro relacionamento. Tive um namorado que fez aniversário pouco antes de terminarmos e eu comprei um tênis de "última geração" para ele. Dividi em 12 vezes no cartão porque na época meu salário era de fome. As coisas já não iam bem para nós, mas não imaginava que dali alguns dias nós terminaríamos. Fiquei pagando por mais 11 meses o tênis. Eu, morrendo de raiva, lembrando do fim a cada fatura enviada pelo cartão de crédito.

Um dia, o encontrei pela rua e ele usava o tênis. Já todo surrado. Faltavam ainda duas ou três parcelas para eu terminar de pagar. Falamos pouco. Um "Olá", outro "Olá", "Seja feliz", "Tchau". Nós dois olhamos para o tênis. Então ele olhou para mim e nem precisou dizer nada. Lá estava meu ex-namorado, em cima da sua vingança. Pisando em tudo quanto é merda de cachorro com ela.

Quinhentos reais. Mais caro que o tênis. Nem sei se dá para parcelar. Meu último vínculo com esse relacionamento, pelo menos financeiro. Pensei até em não pagar só para estar com ele mais um pouquinho. Um nome sujo, uma dor de cabeça a mais. Minha última parcela de vida com o Gabriel.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Ah, os amigos...

Quando terminei o meu primeiro relacionamento, a Microsoft ainda não tinha inventado o MSN. Eu tinha uma agendinha vermelha onde eu anotava nomes e telefones (cujos prefixos ainda não eram de quatro dígitos) de todos os amigos.

Nunca fui adepta de apagar da minha vida os amigos coloridos quando eu estava namorando. Eles simplesmente se transformavam em pessoas de uma só cor e as conversas mudavam de tom e de tema. Até porque eu já aprendi que ninguém nesse mundo, assim como eu, é descartável e gente não pode ser jogada fora.

Então, depois de um tempo (que sempre variou a cada fim de relacionamento) de luto sofrendo a perda, eu olhei para a minha agendinha vermelha e tratei de enxergar a vida de forma menos monocromática.

- Alô? Fulano? Lembra de mim?
- Claaaaaaaaaaaaaro!

E papo ia e vinha até chegar em:

- Você está namorando? Eu não estou mais. Terminei. É, a vida continua, não?

Bliblibli e blóblóbló.

- O que você vai fazer hoje? Vamos tomar um suco?

Pronto. Naquela época eu ainda era novinha e não tomava cerveja. Mentira, eu era adolescente e todo adolescente enche a cara. E aí, com uma biritinha ali e outra acolá era mais fácil de esquecer o que passou e de rolar uns beijinhos.

Pouco mais de dez anos depois, a vida não mudou. O que mudou foi a tecnologia. E os nomes e telefones se transformaram em contatos de MSN. Todos ali, um embaixo do outro, em uma lista incrível para te tirar da fossa. Só que em vez de "Alô" a primeira coisa que a gente diz é "Que saudaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaades!"

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Separação e Reparação

Meu namoro acabou em algum dia quente de abril, na véspera do que era para ser um fim-de-semana feliz. Depois de dois anos, quase dois anos e meio, de sonhos divididos naquela cama king size, enquanto assistíamos House tomando sorvete Diamante Negro.

Eu pensei que fosse para sempre, embora o fim nunca chegue de surpresa. O fim se coloca entre nós na cama, passeia de mãos dadas no shopping, aparece de repente na hora do jantar, se esconde atrás dos brinquedos do filho, está na cadeira ao lado no cinema, no pacote de presente em comemoração ao aniversário de namoro. E às vezes nem adianta se esforçar, fechar os olhos e tentar a vida toda: o fim é tão mais forte do que aquilo que tínhamos (que parecia o amor mais forte do mundo) que ele nos derruba a cada sopro, a cada nada.

Difícil é assumir que não deu certo, mas mais difícil é assumir que não deu certo e que a vida continua. Porque a vontade que dá é sentir cada vez mais pena de nós, chorar até secar, até dormir, me afogar no travesseiro e prender nele cada um dos meus sonhos calculados milimetricamente durante aquele tempo que pareceu infinito.

Esse blog falará de separação. De reparação. E de recuperação. De relacionamentos passados, presentes e futuros. Dos fictícios. Dos platônicos. Dos palpáveis. Dos cheios de sabores e cheiros. Dos que não deram certo e dos que dão certo todos os dias. Terá raiva de toda a humanidade de vez em quando, mas amará com uma intensidade cortante em quase todos os momentos.

Meu nome não interessa. Pode ser o meu, o seu, o dela, o dele. Porque, afinal, os relacionamentos são absolutamente todos iguais.